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22/03/2019

Banco Central percebe recuperação do PIB aquém do esperado no Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central relatou em seu comunicado que os indicadores recentes da atividade apontam ritmo aquém do esperado. Não obstante, segundo o BC, a economia brasileira segue em processo de recuperação gradual.

Mesmo com essa avaliação, o Copom decidiu por unanimidade manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano ao término da reunião de ontem.

 

Para o economista do Santander Brasil, Rodolfo Margato, a decisão do BC brasileiro foi correta pois ainda há muitas incertezas no horizonte, entre elas, a aprovação da reforma da Previdência Social pelo Congresso Nacional.

 

“Se por um lado, a decisão do Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] de também manter os juros por lá traz um alívio para os países emergentes, do outro, a desaceleração do comércio global, a questão do Brexit na Europa e a crise na Argentina jogam na direção contrária. O real é uma moeda muito sensível a essa percepção de risco”, lembra Margato.

 

Na opinião do economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, a pausa no aumento dos juros pelo Federal Reserve abre a possibilidade para a redução da Selic no médio prazo. “Se o Congresso aprovar a reforma da Previdência, garante uma boa probabilidade do Copom baixar a Selic”, afirmou.

 

Ele avalia que os mercados globais reagiram positivamente à decisão do Fed, mas que no Brasil a cautela sobre a tramitação da reforma da Previdência no legislativo pesou mais. “Houve uma realização de lucros na bolsa”, disse.

 

De fato, o Ibovespa chegou a ensaiar uma retomada após a divulgação do Fed nos EUA, mas encerrou em baixa de 1,55%, aos 98.041 pontos, após os últimos cinco pregões em máximas históricas na B3.

 

Repercussão do Copom

 

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, a inflação de preços ao consumidor controlada e a economia global em desaceleração são motivos para a redução da Selic.

 

“O comércio internacional está em um ritmo bem menor. A economia global está em desaquecimento e o crescimento mundial tem sido revisto para baixo. E não há mais uma pressão do Fed que retire fluxo dos emergentes. Nesse ambiente, seria positivo uma redução dos juros no Brasil”, comentou Pimentel.

 

Em comunicado, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) considerou a decisão do Copom acertada. “Contudo, a Firjan reitera que, sem o equilíbrio das contas públicas, o País não será capaz de manter crescimento econômico por longos períodos com juros baixos e inflação na meta”, destacou a entidade.

 

Já para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, a decisão do Copom é compreensível. “Embora já existam condições para uma redução da taxa, é compreensível que o Copom tenha optado pela manutenção da Selic, visto que essa é a primeira reunião da nova diretoria”, disse Burti, referindo-se à gestão iniciada por Roberto Campos Neto.

 

Na perspectiva do Comitê de Acompanhamento Econômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), quanto aos juros, a projeção é de estabilidade da Selic em 6,5% ao longo de 2019.

 

Em nota, o comitê da Anbima informou que, apesar de o cenário externo com menos juros favorecer os mercados emergentes, os investidores ainda estão mais cautelosos.


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