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09/01/2020

Escassez de milho manterá inflação das carnes pressionada até

A safra de 2020 será recorde, pela previsão do IBGE, mas o consumidor vai continuar pagando caro pela carne. É que a produção de milho deve cair 7,2% e já há escassez do grão, conta Enori Barbieri, vice-presidente da federação da agropecuária de Santa Catarina (Faesc). O estado é o grande produtor de aves e suínos, que se alimentam do cereal. O que vai garantir a safra recorde de 243,2 milhões de toneladas de grãos é a colheita da soja, que deve avançar 7,8%. O fim de 2019 já foi marcado pela alta das carnes. Havia a expectativa de que o preço baixasse agora.

- Pode se acostumar que o preço da carne vai ficar alto ao menos até julho. Se o clima não ajudar no começo do ano, a pressão vai continuar até o fim de 2020 - avisa Barbieri.

Ele conta que a saca de 60 quilos de milho, que valia R$ 25 há um ano, hoje é vendida pelo dobro. A cotação deve atingir os R$ 60 em Santa Catarina neste primeiro semestre. A dieta de aves e porcos é composta de 70% de milho e 30% de soja.

O desequilíbrio começou em agosto. Naquele mês as exportações de milho chegaram a 7 milhões de toneladas, quando o normal era embarcar algo como 1,5 milhão/ton mensais. As tradings aproveitaram a alta do dólar e fecharam negócios mundo afora. Neste segundo semestre, a área plantada foi menor e houve uma seca no Sul. O cenário agora é de escassez para os próximos meses.

Barbieri calcula que até julho a oferta de milho será de 20 milhões de toneladas, e o Brasil precisará de cerca de 10 milhões de toneladas a mais. É uma má notícia para a inflação. O preço da carne de porco, que vinha pressionado pela demanda maior da China, agora sofrerá também com o custo de produção maior.

Só em meados do ano o país vai colher a maior parte da safra 100,6 milhões de toneladas de milho. O governo não tem grandes estoques porque comprou pouco nos últimos três anos, quando o preço ficou acima do piso. A solução será importar. O Paraguai pode garantir 5 milhões de toneladas, mas a logística de transporte não ajuda. A saída seria a Argentina. O problema ali é que o novo governo de Alberto Fernández taxou as exportações do agronegócio e o milho argentino encareceu. O grão de outros países tem um custo mais elevado de frete.

Barbieri diz que a demanda chinesa pelos suínos continuará forte em 2020. A expectativa de uma queda no preço das carnes no começo do ano não deve se confirmar.   

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