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15/05/2019

Crescimento fraco no Dia das M?es d? o tom do com?rcio para o resto do ano

O resultado do com?rcio no Dia das M?es foi um banho de ?gua fria para os mais otimistas com a retomada da economia. Com alta de apenas 1,7% nas vendas totais e 0,11% nas feitas a prazo, na segunda principal data do varejo no ano, a previs?o agora ? de que os lojistas fiquem ainda mais comedidos para repor estoques para as pr?ximas datas.

Segundo o indicador de vendas realizado pela Boa Vista, com abrang?ncia nacional, as vendas cresceram 1,7%, ap?s um incremento na casa dos 4% apresentados ano passado, frente ao mesmo per?odo de 2017.

 

Para o especialista em varejo e ex-professor da Universidade Nacional de Bras?lia (UnB), Arthur Machado, a frustra??o com as vendas podem comprometer a composi??o dos estoques para os pr?ximos per?odos de festas. ?Acredito que o Dia das M?es foi um balde de ?gua fria para parte dos lojistas que esperavam uma retomada do consumo mais forte?, disse.

 

Exemplo desse movimento mais conservador foi reportado ao DCI pelo empres?rio S?lvio Magalh?es, que possui duas lojas de vestu?rio no ABC Paulista, na Regi?o Metropolitana de S?o Paulo. De acordo com ele, boa parte do estoque ficou parado e ele ter? de fazer promo?es para abrir espa?o para as pr?ximas cole?es. ?O tempo tamb?m n?o ajudou uma vez que, quando est? mais frio, as pessoas compram mais casacos e itens de maior valor agregado?, disse.

 

O comportamento do lojista vem em linha com a percep??o do vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Com?rcio de Porto Alegre (Sindilojas), Paulo Kruse. De acordo com ele, os lojistas que prepararam as vendas para o Dia das M?es come?aram a compor os estoques em fevereiro, per?odo em que havia um maior otimismo com o governo e com a retomada econ?mica. ?Com estoques altos, agora, a tend?ncia ? que eles sejam mais comedidos nas pr?ximas compras?, disse.

 

A expectativa dele e que, pelo menos na regi?o de Porto Alegre, o varejo se comporte de modo linear este ano, sem grandes altas, mas tamb?m sem encarar perdas.

 

Para o professor da UnB, no caso do Dia das M?es, os piores desempenhos foram verificados entre as categorias de maior valor agregado, uma vez que elas dependem de cr?dito. ?Al?m de pouco cr?dito dispon?vel, o medo do desemprego ainda assombra boa parte dos brasileiros e impede compras parceladas?, completou ele.

 

Consumidor precavido

 

De acordo com o levantamento da Confedera??o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Servi?o de Prote??o ao Cr?dito (SPC Brasil), a lenta recupera??o da economia frustrou a expectativa de um crescimento mais vigoroso do varejo para o Dia das M?es de 2019. Como resultado, as vendas a prazo na semana anterior ? data (entre os dias 05 a 11 de maio) apresentou uma pequena alta de 0,11% na compara??o com o mesmo per?odo do ano passado. Este ano, mais da metade (65%) dos consumidores planejavam pagar os presentes ? vista em vez de parcelar as compras.

 

Em 2018, as vendas haviam crescido 4,36%, ap?s acumularem tr?s anos seguidos de queda: -0,91% (2017), -10,88% (2016) e -2,82% (2015).

 

Na avalia??o do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o resultado reflete um cen?rio de dificuldades em que o consumidor fica mais cauteloso com compras. ?Esse crescimento t?mido nos resultados do Dia das M?es, segunda data mais importante para o com?rcio, n?o foi suficiente para retornarmos ao patamar de crescimento anterior ? crise econ?mica?, destaca.

 

Nos shoppings o resultado foi ainda pior. Segundo a Associa??o Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) houve queda de 5% no faturamento dos lojistas. A entidade calcula que o fluxo de pessoas e volume de compras subiram, mas o consumidor gastou 10% menos que em 2018. Entre os malls mais populares, o t?quete m?dio ficou entre R$ 70 e R$ 90 e prevaleceu, como indicado pela CNDL, vendas feitas ? vista, o que tirou celulares e eletr?nicos da lista de compra.


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