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22/08/2017

Geração Z é menos educada e mais pé no chão que a Y

Geração Z é menos educada e mais pé no chão que a Y
A nova onda de profissionais que chega às empresas é menos educada, mais realista e tão exigente quanto a turma Y - caracterizada pelo interesse por maior autonomia no trabalho, pela baixa fidelidade às empresas e a necessidade de feedbacks constantes de seus chefes. Enquanto os Y cresceram em meio ao avanço econômico dos anos 1990, a nova leva, Z, foi marcada pela crise de 2008 e a ascensão do terrorismo, diz Bruce Tulgan, consultor norte-americano em recursos humanos.O resultado é uma força de trabalho mais pé no chão, cínica e desconfiada. "Eles não creem que as empresas possam dar segurança no longo prazo", diz Tulgan, autor de "O que Todo Jovem Talento Precisa Aprender" (Ed. Sextante). 

Gestores se queixam da falta de iniciativa dos jovens, que querem ser acompanhados de perto por superiores. É como se esperassem do chefe uma atitude mista entre mentor e pai.

Quais as diferenças entre profissionais Y e Z?
Bruce Tulgan - São duas levas de um grupo só: o dos millenials. A primeira, Y, nasceu entre 1978 e 1990, e a segunda, os "Z", a partir dos anos 1990. Os Z são parecidos com a geração nascida logo após a Grande Depressão, nos anos 1930, pois viram a incerteza econômica pós-2008 e o terrorismo. Mas também foram muito protegidos por pais e professores. São precoces, mas imaturos. Esperam que o empregador lhe ofereça aconselhamento, apoio e espaço para errar.

Qual foi o impacto da crise de 2008 nos jovens Z?
Esse contexto fez com que os Z baixassem suas expectativas de rápida ascensão e confiassem ainda menos nas empresas como provedoras de estabilidade, se comparados aos Y. Esperam, mais do que os mais velhos, que os chefes lhes acompanhem e abram exceções, permitindo que escolham tarefas e horários com base em suas preferências.

Quais as queixas dos empregadores em relação aos Z?
É que muitos não têm competências comportamentais básicas. Têm dificuldades para dizer "por favor" e "obrigado", não entendem por que respeitar as regras de vestuário e passam tempo demais no celular durante o trabalho. É um ponto cego na formação.

Como reduzir o número de demissões por comportamento?
Muitas empresas, após a contratação, dão lições ao funcionário sobre como se conduzir em uma reunião ou se comunicar por e-mail. Basta mostrar por que isso é importante para a ascensão profissional dele e incentivar que busque isso por conta própria.

Como os gestores devem lidar com esses mais jovens?
Essa geração não quer só se divertir e receber tudo de mão beijada. Isso é mito. Quer saber o que se espera dela. É preciso deixar clara essa expectativa e agir como coach ou professor. Se o jovem não melhorar, deve ser responsabilizado pela falha.

E como o jovem pode cuidar do próprio desenvolvimento?
Ele deve aprender com o dia a dia e se gerir sozinho, o que vai até contra a forma como foi criado. Vale fazer reunião de aconselhamento com o gestor. E é vital anotar tudo, coisa que muitos não fazem.


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