Marca própria cresce 43% no atacarejo e ainda tem espaço para conquistar quase 12 milhões de lares

A marca própria deixou de ser coringa de prateleira para se tornar uma das apostas mais consistentes do varejo brasileiro. Dados da NielsenIQ (NIQ) indicam que o atacarejo é hoje o canal em que esse movimento ganha mais velocidade, e também onde ainda há mais terreno a explorar.

 

O Brasil acelera, mas ainda está longe da Europa

 

No mapa global, a Europa segue como o principal mercado para marcas próprias, com 37,3% de participação, seguida pela América do Norte, com 18,1%. A América Latina responde por 3,4%, mas avança 0,2 ponto percentual (p.p.) na comparação anual.

 

É no ritmo de crescimento que a região chama atenção. As vendas em valor de marca própria na América Latina subiram 10,5%, o segundo maior avanço do mundo, atrás apenas de África e Oriente Médio, com 17,4%. A média global ficou em 3,7%.

 

Dentro do país, a força da marca própria varia bastante. No varejo moderno, ela representa 1,6% das vendas em média, mas chega a 3,2% em Minas Gerais, 2,1% na Grande São Paulo e 1,8% no interior paulista. Grande Rio de Janeiro e Centro-Oeste, com 1,0%, aparecem na outra ponta.

 

Consumidor quer mais

 

A demanda parece sustentar a expansão. Segundo o NIQ Consumer Outlook, 58% dos brasileiros pretendem comprar mais produtos de marca própria como forma de administrar os gastos. O hábito também já é amplo, já que 79% dos lares que consomem esses itens também fazem compras no atacarejo, 1,1 p.p. a mais que no período anterior.

 

Atacarejo cresce mais, mas vende menos

 

Entre os formatos acompanhados pela NIQ, o cash & carry (C&C) lidera a evolução. Tendo como base 100, o faturamento da marca própria no segmento chegou a 158, contra 135 nas farmácias e 106 no autosserviço.

 

O contraste aparece na representatividade. O C&C responde por 42,6% das vendas totais dos canais analisados, mas por apenas 24,7% das vendas de marca própria. O autosserviço, por sua vez, concentra 48,9% desse tipo de produto, e as farmácias, 26,4%.

Nos lares, o gasto com marca própria no atacarejo avançou 43,2%, ritmo 2,5 vezes superior à média. O tíquete médio é de R$ 18, 12% acima da média, a frequência de compra é de 2,5 vezes e o canal reúne 5,1 milhões de lares compradores.

Falta de variedade pode ser o gargalo

 

Dos 21,3 milhões de lares brasileiros que compram marca própria, 16,9 milhões também frequentam o atacarejo, mas só 5,1 milhões compram esses produtos ali. Sobram 11,8 milhões de domicílios que já conhecem o formato e a marca própria, mas ainda não unem os dois.

 

Uma pista para explicar a diferença está no sortimento. O atacarejo trabalha, em média, com 67 itens de marca própria por loja, número 66% maior que os 40 de antes, mas inferior aos 100 do autosserviço e aos 118 das farmácias.

 

Para a NIQ, ampliar a disponibilidade de itens é o caminho mais direto para transformar esse público potencial em compradores efetivos, num momento em que o consumidor busca economia sem abrir mão de qualidade.