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19/03/2021

Setor supermercadista segue bem, mas o sinal é de alerta

O varejo alimentar é um dos poucos que não têm do que se queixar. 2020 foi bom para as vendas e 2021 continuará sendo. Porém este ano exigirá um olhar tão apurado quanto o do ano passado, ou mais. Nem a alta nos preços de commodities, que deverá melhorar bastante o desempenho dos países emergentes, incluindo o Brasil, será capaz de colocar a casa em ordem. Segundo projeções da Tendências Consultoria , com tradição na análise de indicadores socioeconômicos, o PIB brasileiro promete crescer 2,9% neste ano, porém ficando 1,6% abaixo do período pré-pandemia. E esse aumento dificilmente se refletirá em recomposição de renda das classes CDE, que respondem por 83,7% dos domicílios brasileiros.

O desempenho do varejo alimentar dificilmente se tornará alarmante, por razões óbvias (alimentação é sempre prioridade e o consumo de bens e serviços continuará reprimido). Porém, toda a atividade precisa ser bem cirúrgica. Negociações vantajosas de grandes volumes continuarão perigosas – afinal, o produto pode empacar no estoque, com impacto ruim sobre o fluxo de caixa.

O comportamento de consumo ficará ainda mais oscilante, até pelas altas taxas de desemprego e informalidade. O shopper pode tanto substituir algumas marcas sem pestanejar como preferir outras, consagradas, para não errar na compra. Pode correr para embalagens econômicas, mas também para as pequenas, de desembolso menor. Outras possibilidades são: aumento na compra de alguns itens de limpeza e de beleza; e redução na variedade de alimentos. Ou diminuir hortifrútis e comprar mais “indulgentes”. Tudo é possível, você sabe. A classe B praticamente não terá perdas e a classe A aumentará a renda. Isso é bom, mas vale atenção para a concorrência, tanto alimentar como de outros segmentos. Premiunização dos itens e qualidade de serviços costumam ser a dobradinha ideal.

O momento, portanto, é de atenção, flexibilidade e rapidez para atender a demanda.

Mesmo prevendo algum tipo de reforço governamental no orçamento das famílias, a consultoria projetou, para 2021, uma queda de mais de 15% na massa de renda das classes D/E e de 1% da classe C.

FIQUE ATENTO

Saúde é mais do que criar uma seção, introduzir os produtos lançados pela indústria ou ampliar esse número. É preciso entender qual seria a cesta ideal para o shopper-alvo. Prioridade: arroz, feijão, leite, produtos de limpeza? Comprando mais vezes ou em maior volume: iogurtes, carne, detergente para roupa? Itens associados à saúde: orgânicos, vinhos, pratos veganos? Serviços associados à saúde: massagem, dança, aromaterapia, viagens? Criar uma estratégia a partir dessas informações (ainda que num levantamento informal na vizinhança) é tratar a saúde de maneira integral: relacionando produtos a informações úteis, sorteios, ações gratuitas, mix, ofertas, parcerias, serviços de assinatura, etc.

MIX SOFISTICADO
Quem atende as classes A e B pode rentabilizar seções ao incentivar sell out de itens premium, como os orgânicos

LEMBRE-SE

Promoções são ótimas, mas em excesso nivelam por baixo e prejudicam resultados

Excesso de marcas de um mesmo item só canibaliza as vendas e gera ruptura daqueles com maior saída

É melhor calcular margem de contribuição do que margem % sobre custo do produto, para não mascarar os resultados

Cuidado com as negociações de “oportunidade” para não soterrar verbas e, portanto, comprometer parte do sortimento

Cuide do fluxo de caixa, cuide do fluxo de caixa e, não esqueça, cuide do fluxo de caixa!

Projeções da Tendências Consultoria para a massa de renda das classes D/E não são nada animadoras. Caso esse seja seu público, pense nas estratégias não apenas imediatas, mas para os próximos cinco anos

Os atacarejos continuarão sendo a bola da vez, principalmente para atender as camadas de baixa renda. O formato é uma oportunidade e também uma concorrência que pode exigir ajustes no mix, na precificação e no atendimento. Em tempo: a classe média também compra em atacarejos, além de transformadores e informais


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