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23/03/2018

Formatos de loja com proposta de compra simples irão se destacar

Formatos de loja com proposta de compra simples irão se destacar

Estudo da consultoria BCG analisou a influência do hard discount no varejo alimentar. No Brasil, o formato tem como representante principal a rede Dia. “Cedo ou tarde alguma nova cadeia internacional do formato deve entrar no Brasil”, acredita Silvia Sonneveld, sócia do BCG. A especialista traça um paralelo entre essas lojas e o cash & carry no País. Ela também analisa por que modelos que oferecem maior simplicidade fazem sucesso entre os millennials (consumidores nascidos entre 1980 e 1995). Confira, nesta entrevista, como tudo isso impacta no seu negócio.

No estudo, vocês constataram que os millennials (nascidos de 1980 a 1995) preferem decisões rápidas. Como isso se reflete no varejo?

Esses consumidores preferem a simplicidade. Cresceram com muitas facilidades, como acesso a celulares e aplicativos. Por isso, querem levar essa experiência do online para a loja física. É o que oferecem os formatos de discount, por exemplo. Mas há outras iniciativas em curso. O Whole Foods está testando um novo formato, o 365. O layout foi simplificado e o sortimento é menor em relação a uma loja tradicional. O preço é mais acessível, embora ainda predominem produtos artesanais e orgânicos.

As lojas de proximidade são uma alternativa para atender esses consumidores no País?

Esse formato deverá evoluir mais para o conceito de conveniência comparado ao que existe hoje. Deverá oferecer mais pratos feitos, já prontos para comer, que costumam ser a maior parcela da receita desse tipo de loja em outros países. Mas operar dessa forma é mais complexo. Exige desenvolver novos fornecedores, controlar o prazo de validade, garantir qualidade e sabor. Portanto, ainda há uma boa jornada de aprendizado pela frente.

O levantamento analisa o hard discount na Europa. Aqui, o formato mais bem-sucedido voltado a preço é o cash & carry. Os momentos são os mesmos?

O cash & carry no mercado brasileiro é emergente em relação ao hard discount na Europa. Mas também opera com preços cerca de 15% menores e mix enxuto em comparação ao supermercado tradicional. Aqui, a crise deve ajudar a acelerar o formato. As pessoas, ao descobrirem que o preço é menor, indicam o atacarejo a outros consumidores. Isso ajuda a atrair mais público. Na Europa, aconteceu algo parecido no pós-crise de 2008.

Existe a possibilidade de o hard discount vir a entrar com força no País?

Os grandes discounters europeus, como Aldi e Lidl, não devem entrar no Brasil no curto ou médio prazo. Isso abre oportunidades para os varejistas daqui ocuparem os espaços. Mais cedo ou mais tarde alguma rede internacional de hard discount deve vir para cá.

O cash & carry poderá representar 50% do mercado, como é previsto para o hard discount europeu?

É difícil dizer. No Brasil quase metade do mercado são varejistas independentes e ainda há muitos municípios que não contam com lojas modernas. Portanto, existe espaço. Por outro lado, os supermercados tradicionais devem reagir ao avanço do atacarejo. Um dos desafios é reduzir a diferença de preço. Isso significa que será preciso aumentar a eficiência, otimizar as condições de negociação com os fornecedores e, principalmente, trabalhar o sortimento. Essa é a principal alavanca para concorrer com o cash & carry. É preciso reduzir o tamanho do mix para trazer maior eficiência à cadeia logística.


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