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22/02/2018

Ação do GPA cai depois de mudanças na gestão

Ação do GPA cai depois de mudanças na gestão

Ao longo de todo o dia de ontem (21/02), foi a maior baixa do Ibovespa, encerrando o pregão com recuo de 5,27%, a R$ 67,55.

Após anunciar mudanças importantes no comando da companhia e publicar números do quarto trimestre - parte deles avaliados como fracos pelo mercado - o GPA (Grupo Pão de Açúcar) viu suas ações fecharem em queda ontem na B3. Ao longo de todo o dia, foi a maior baixa do Ibovespa, encerrando o pregão com recuo de 5,27%, a R$ 67,55, menor preço desde 21 de julho de 2017. A Via Varejo, controlada pelo GPA, caiu 3,3%, a R$ 25,80.

Apesar de já circularem informações no mercado, analistas se surpreenderam com as mudanças divulgadas - especialmente envolvendo o negócio alimentar. A varejista anunciou na segunda-feira a saída de Ronaldo Iabrudi da presidência do GPA e de Luis Moreno da linha de frente das redes Extra e Pão de Açúcar. Peter Estermann, atual presidente da Via Varejo, controlada pelo GPA, será o novo CEO do grupo. Ainda ontem os impactos estavam sendo melhor absorvidos pelo mercado.

Desde a noite de segunda-feira, o comando do grupo tem conversado com analistas para esclarecer e reforçar pontos positivos em torno da decisão. "Achamos a mudança mais inesperada a saída de Luis Moreno da chefia do multivarejo [Extra e Pão de Açúcar] ", escreveu em relatório ontem Richard Cathcart, analista do Bradesco BBI, ressaltando que a entrada de Estermann não deve alterar a estratégia do grupo, com foco no Assaí.

Moreno se mantém como consultor do grupo. O Credit Suisse também reforça o mesmo aspecto relacionado à surpresa com a saída de Moreno, desde 2016 na empresa. É algo que merece destaque pela atenção que o mercado tem dado há tempos ao braço de multivarejo, um negócio que passa por reestruturações desde 2015 e ainda não recuperou seu desempenho.

O Valor apurou que não houve avanços esperados, durante a gestão de Moreno, nas ações para ajustes mais profundos de custos nas redes Extra e Pão de Açúcar. E isso teria motivado a saída. Viu-se mais ganhos de cunho estratégico, diz uma fonte. A função do executivo será absorvida por Estermann, que ontem disse em teleconferência que uma de suas prioridades como CEO será "adequar estrutura de custos ao tamanho de cada negócio alimentar" considerando o seu crescimento futuro.

Foi Estermann que aprofundou revisão de custos e despesas na Via Varejo e fez um trabalho de gestão e em processos internos avaliado como positivo, segundo a maioria dos relatórios de bancos analisados pelo Valor. Como informou ontem o Valor PRO, no início de 2017 Iabrudi sinalizou ao controlador Casino seu interesse em deixar a presidência do grupo. Há cerca de quatro meses, se intensificou o processo de transição, para que ele ocorresse sem maiores ruídos.

Ontem, analistas do BTG e Brasil Plural avaliaram a mudança no comando da Via Varejo como sinal de que a venda da empresa possa estar próxima. Flavio Dias será o presidente, substituindo Estermann. O mercado entende que, ao trazer Estermann de volta ao GPA, após ganhar uma maior confiança do francês controlador, essa pendência se resolve e a Via Varejo fica liberada para uma transação. A posição de 43% do GPA na Via Varejo foi colocada à venda em 2016.

O Valor Pro antecipou ontem que além de Dias, concorriam à vaga Vicente Trius e Héctor Núnez, ambos ex-presidentes do Walmart. Os dois estiveram em contato com o Casino na sede. Paulo Naliato, atual diretor de operações da Via Varejo também era uma opção. Em relatório, analistas do J.P. Morgan dizem que Dias vai aumentar o foco da operação na integração dos canais de venda do grupo.

Na manhã de ontem, a linha de frente do GPA comentou com analistas o balanço do quarto trimestre e fez estimativas para 2018. A empresa prevê vendas "mesmas lojas" (pontos abertos há mais de 12 meses) do Assaí com alta acima da inflação no ano. A área de multivarejo ficará em linha com inflação alimentar. Para a margem de lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) de multivarejo, a empresa prevê alta entre 0,5 ponto a 0,6 ponto. Em 2017, o índice foi de 5,6%.

O efeito da deflação alimentar foi destacado pelos analistas como fator de pressão nos números do quarto trimestre. A deflação reduz preços (sem aumento imediato de volume) e isso afeta receita.

Os resultados apresentados no período ficaram abaixo do esperado na avaliação do Deutsche Bank e J.P. Morgan. Porém, os analistas das duas casas destacam que as estimativas apresentadas pelo grupo para 2018 têm projeções animadoras, sobretudo para o atacarejo.

O GPA encerrou o quarto trimestre de 2017 com lucro líquido consolidado de R$ 408 milhões, versus perda de R$ 29 milhões no ano anterior. O multivarejo apresentou lucro de R$ 4 milhões, ante prejuízo de R$ 170 milhões - no Assaí o lucro passou de R$ 146 milhões para R$ 254 milhões. A receita líquida do GPA (consolidado) subiu 6,6% para R$ 12,5 bilhões.

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