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11/01/2018

Headhunters apostam em retomada das contratações

Headhunters apostam em retomada das contratações
As empresas de recrutamento executivo estão otimistas com o novo ano e esperam que a recuperação nos negócios, já sentida no final de 2017, se mantenha pelo menos durante o primeiro semestre. Após um ano em que as companhias olharam para dentro, priorizaram posições de controle e deixaram funções se acumularem, a tendência agora é que elas se voltem para perfis de desenvolvimento e expansão.A perspectiva positiva, no entanto, ainda é vigilante, em especial no segundo semestre, quando vai depender da confiança do mercado nos candidatos que despontarem como favoritos na eleição. "É uma visão otimista, mas cautela ainda é uma palavra que ouço bastante", destaca Jacques Sarfatti, diretor-presidente Russell Reynolds.

O último trimestre de 2017 registrou mais movimentações na comparação com o resto do ano, e 2018 poderá ser o ano de "tirar o atraso", na visão de Darcio Crespi, sócio-diretor da Heidrick & Struggles. Ele espera mais demanda para posições executivas em departamentos de vendas, marketing e supply chain. "Áreas que têm mais a ver com mercado e menos com controle estavam represadas. O jogo deve se equilibrar no ano que vem", diz Crespi.

Na visão dos headhunters, as demandas serão menos para novas vagas e mais para posições que estavam congeladas ou sendo acumuladas por outros executivos. Ainda assim, esse movimento de volta é limitado. Para Sarfatti, os anos de crise demonstraram que as empresas conseguem produzir com menos gente.

Marcos Macedo, presidente da Spencer Stuart, vê uma tendência de manter as estruturas enxutas até que a complexidade dos negócios justifique ampliar os quadros. "O momento dá espaço para testar o limite dessas organizações mais otimizadas", descreve.

Uma cadeira com forte potencial de movimentações, segundo os headhunters, é a diretoria financeira. Desse profissional tem sido exigido no momento um perfil mais completo, que mantenha um olho dentro da empresa, na gestão de custos, e outro fora, em busca de oportunidades e renegociações. "É um CFO que olha para a controladoria e também consegue se relacionar com facilidade com o mercado, tanto de dívida quanto de equity", diz Macedo.

Para sustentar as movimentações nos quadros, Macedo também vê aumento na procura para as diretorias de RH, como forma de garantir os planos de retenção e de sucessão da empresa na medida em que o mercado se aquece.

O topo da pirâmide também deve se movimentar. Sarfatti percebe demanda para a cadeira de presidente, passando de um olhar interno de "sobrevivência" para um mais voltado para estratégia e inovação. "São CEOs com olhar de expansão, de novos negócios, incluindo nisso a avaliação de riscos", diz.

Continua em alta a procura por executivos experientes para ocupar cadeiras em conselhos de administração, tanto pela demanda de empresas familiares preocupadas com sucessão e governança corporativa quanto por companhias que estão se preparando para receber um novo investidor.

"Deve continuar o ciclo de investimento por parte dos fundos de private equity, considerando que os ativos continuem com preços razoáveis e o risco-país dentro de um limite controlado", diz Macedo. Consumo e varejo devem ser os setores que vão liderar o aquecimento no mercado executivo, na opinião dos headhunters. Mas eles também enxergam possibilidades na indústria, que deve começar a se recuperar no ano que vem.

O leve aquecimento no mercado executivo não significa, no entanto, que os salários estejam voltando ao patamar pré-crise. Para os headhunters, os pacotes executivos exacerbantes de cinco anos atrás, quando o Brasil chegou a ter alguns dos salários mais altos do mundo, não retornam tão cedo, tanto pela disponibilidade maior de profissionais qualificados desempregados quanto pela cautela das empresas na retomada.

Para Crespi, da Heidrick, os salários fixos foram bastante atingidos nos níveis de diretoria e gerência, mas a remuneração variável, atrelada aos resultados, pode se mostrar mais generosa. "Todo mundo está enxergando recuperação mas ninguém quer fazer grandes compromissos quando não tem certeza do ano seguinte, que será pós-eleição", diz o headhunter.

Enquanto as expectativas são boas para o primeiro semestre, os headhunters não se atrevem a fazer grandes apostas sobre o segundo, quando a proximidade com a eleição poderá derrubar a confiança e gerar os tipos de incertezas que normalmente fazem empresas colocarem projetos na gaveta e adiarem decisões de contratação. "A gente sabe que quando os debates da eleição começarem a esquentar pode ter uma tendência de paralização de novo, dependendo da linha política que assumir a liderança", diz Sarfatti, da Russell Reynolds.


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