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10/11/2017

Brasileiros estão mais dispostos a fazer denúncias na empresa

Brasileiros estão mais dispostos a fazer denúncias na empresa
Mais profissionais brasileiros estão dispostos a denunciar atos ilícitos ocorridos no trabalho e se opõem completamente a pagar ou receber valores em propina, na comparação com dois anos atrás. Esses dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela consultoria em risco e governança Protiviti.Para especialistas, as repercussões da Operação Lava-Jato aumentaram o entendimento das pessoas sobre o assunto e o medo de serem estigmatizadas como desonestas. Mas o levantamento também aponta que o comportamento ético dos profissionais ainda depende, em grande parte, do contexto em que eles estão inseridos.

A pesquisa reúne informações de 6.277 profissionais de diversos níveis e idades, que passaram por questionários e entrevistas formuladas para identificar seu posicionamento ético durante os processos de recrutamento. Os dados coletados entre 2014 e 2016 apontam que 47% dos profissionais denunciariam atos ilícitos ou irregulares se os testemunhassem na sua empresa, número maior do que o encontrado na pesquisa anterior, feita entre 2012 e 2014, quando 40% disseram o mesmo.

Os que afirmam não denunciar deixaram de ser 12% para contabilizarem 5%. A maior parte, no entanto, ainda condiciona a denúncia a fatores externos (48%), número que se manteve igual nas duas pesquisas.

Fernando Fleider, sócio-diretor da Protiviti no Brasil, atribui a mudança à proeminência de casos de denúncia que se tornaram mais visíveis com a Operação Lava-Jato nos últimos anos. "As pessoas estão mais dispostas a entender a denúncia como um ato de profissionalismo", afirma. 

Outro impacto veio da implementação de canais de denúncia nas companhias, onde os funcionários podem enviar mensagens de forma anônima e independente. Essa é uma ferramenta que vem ganhando espaço no Brasil nos últimos três anos.

Cresceu também o número de profissionais que não considerariam receber ou fazer pagamentos ilícitos, de 48% entre 2012 e 2014 para 56% entre 2014 e 2016. Menos pessoas (43%) condicionam a decisão a fatores externos, na comparação com a pesquisa anterior (50%). Apenas 1% considera natural fazer ou receber propina.

Antonio Carlos Hencsey, líder da área de ética e compliance da Protiviti e responsável pelo levantamento, enxerga uma mudança de comportamento entre os respondentes, motivada principalmente pelo crescimento na percepção de que existe um impacto social ao ser percebido como corrupto ou omisso em relação à irregularidades. "Saber de algo e não se posicionar coloca a pessoa em uma posição de desconforto quando ela precisa defender isso em outros ambientes", afirma.

Os números ainda altos de pessoas que condicionam as decisões relacionadas a irregularidades a fatores externos refletem o perfil de flexibilidade ética dos profissionais, também medido na pesquisa. Uma parcela de 15% têm um perfil nada flexível, que baseia as decisões em valores internos sólidos e bem-definidos. 

Já 35% têm valores fortes, mas eles estão atrelados a fatores externos e com influência afetiva, como a relação com a família ou amigos. Já 36% apresentam flexibilidade média, o que significa que a pessoa pode recorrer a saídas não-éticas para eliminar pressões ou porque não vê saída dentro das regras. "São pessoas mais pragmáticas, que farão uma análise do que traz prejuízo ou não", diz Hencsey. Cerca de 14% têm níveis mais altos de flexibilidade, e podem apresentar comportamento predatório, adotando saídas irregulares em benefício próprio independentemente do contexto.

Para Hencsey, os números apontam que a maioria dos profissionais está propenso a agir de forma ética, se o ambiente incentivá-lo a isso. "Esses 36% com média flexibilidade tendem a agir de forma correta se a empresa tiver todos os cenários, ferramentas e políticas para que elas ajam assim", explica. Por outro lado, se o ambiente incentivar comportamentos abusivos e práticas irregulares, o resultado é o oposto. "É preciso ter discussões mais presentes e falar de ética todo dia, e não só fazer treinamento uma vez por ano", diz.


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