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22/08/2017

Fornecedores apostam em vinho barato para brasileiro

Fornecedores apostam em vinho barato para brasileiro
Duas grandes importadoras de vinhos finos, World Wine e Decanter, estão com uma nova estratégia para atender seu público: vinhos mais baratos, ao gosto do brasileiro, que tem buscado uma bebida mais fresca, para harmonizar com comida.Adolar Hermann, dono da Decanter, sediada em Blumenau (SC), diz que está "reformulando o portfólio, buscando vinhos mais baratos, cortando alguns produtores e revendo tudo, até questões internas para medir a eficiência da equipe, de forma a nos manter num mercado em turbulência".

Hermann diz que o volume de vendas se mantém, mas o consumidor migrou para um tíquete médio mais baixo e o faturamento não cresceu. Vários importadores, contou, carregaram um estoque grande por conta da queda das vendas verificada no ano passado, da ordem de 15%. "No mercado não houve grande queda de volumes, já que as vendas estão estáveis, mas queda de valores. Quem comprava um vinho de R$ 200, compra de R$ 100. Quem gastava R$ 100, agora gasta R$ 50. Essa é a realidade", diz o dono da Decanter, há 20 anos no mercado.

"Na fase atual, a saída é dançar conforme a música", diz Celso La Pastina, sócio-presidente da World Wine, importadora que completa 18 anos nesta semana. Com sete lojas próprias e duas franquias, o empresário está lançando o "Terra Rossa", seu primeiro produto. Trata-se de um vinho desenvolvido na região da Puglia (Itália), com um conceito específico para agradar o mercado brasileiro: um vinho menos amadeirado, que possa ser combinado a determinados pratos, a um preço que caiba no bolso.

Serão três rótulos: de R$ 69, R$ 88 e R$ 267. O plano de La Pastina é vender cinco mil caixas no primeiro ano, considerando todos os rótulos, e chegar a 30 mil caixas em três anos. Para um consumidor que hoje preza, especialmente, uma relação justa entre o preço e a qualidade, a empresa continuará a desenvolver marcas próprias em outras regiões da Itália, na Espanha e em Portugal.

Outra aposta da World Wine é a ampliação da linha de prosecco italiano Mionetto, importado há muitos anos. O Brasil tornou-se foco de investimento desde que a Mionetto foi adquirida pelo grupo alemão Henkell & Co, há quatro anos. Sem falar em números, La Pastina conta que nesta semana chega a São Paulo o executivo Klaus Kuerten, diretor global da Henkell para montar um plano que visa transformar a marca de prosecco na líder de mercado da categoria nos próximos três anos. O preço dos rótulos varia de R$ 65 a R$ 120.

La Pastina, também dono da importadora de mesmo nome, que comercializa vinhos mais em conta e produtos alimentícios, diz que vai abrir mais três lojas da World Wine, no Rio de Janeiro, até o final do ano.

Apesar da crise prolongada, o Brasil continua na mira dos produtores internacionais de vinho. Chega amanhã em São Paulo o português Cristiano van Zeller, que acaba de vender a Quinta Vale D.Maria - uma marca mítica da região do Douro, cujos primeiros registros remontam a 1868 - para a Aveleda. Esta é a maior produtora e exportadora de vinho verde de Portugal, e está presente em 70 países.

Aveleda é a marca portuguesa mais vendida no Brasil. Seu carro-chefe, o Casal Garcia Vinho Verde, que não é muito prezado por especialistas, vende aqui 1,1 milhão de garrafas ano, a um preço em torno de R$ 56.

O Brasil hoje representa 5% no valor de vendas anuais da Aveleda, que produz 17 milhões de garrafas e faturou € 36 milhões em 2016. Portugal ultrapassou a Argentina e ocupa o segundo lugar, logo atrás do Chile, no ranking dos vinhos mais importados pelos brasileiros, segundo a Consultoria Ideal. Com um vasto currículo no Douro, onde marca presença com vinhos de butique, Van Zeller deve assumir a divisão de produtos premium da Aveleda.

Atualmente o Brasil corresponde a 4,6% das vendas do conjunto que ele acaba de vender: a Quinta Vale D.Maria, a Van Zellers & Co. e a CV - Curriculum Vitae. Mas essa porcentagem, diz Van Zeller, não é pequena para uma marca mundial, limitada em termos de produção. A empresa produz 180 mil garrafas por ano e faturou € 1,8 milhão no ano passado.

Num nicho de mercado muito diferente da Aveleda, os vinhos desenvolvidos por Van Zeller se situam no Brasil numa faixa que se inicia em R$ 92 e chega a R$ 1.022, com o Quinta Vale D.Maria Vinha do Rio Douro Tinto. A média fica em R$ 650. As importadoras Grand Cru, World Wine e Interfood vendem os vinhos de Van Zeller no Brasil.

Um dos objetivos da visita de Van Zeller é comunicar ao mercado a transação, cujo valor ele não revela. Diz que "mais do que uma negociação em dinheiro, foi uma fusão de uma empresa muito grande, que absorveu uma muito pequena". Na operação, Van Zeller e sua família adquiriram ações da Aveleda.


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