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14/08/2017

Revolução na indústria de alimentos com a impressão em 3D

Revolução na indústria de alimentos com a impressão em 3D

Gelatina, concentrados de proteínas, chocolate, sal, açúcar e farinha são tipos de insumos que podem ser utilizados para impressão de comida.O crescimento populacional a ser experimentado nas próximas décadas trouxe à tona um debate fundamental: como alimentar de forma sustentável uma população que em cerca de 35 anos irá atingir a marca de 10 bilhões?  De acordo com dados da FAO/ONU (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), entre 1961 e 2013 o Índice de Produção de Alimentos praticamente quadruplicou, enquanto no mesmo período o percentual de terras para agricultura permaneceu praticamente o mesmo ao redor do mundo.A solução do problema pode estar na tecnologia. Impressoras 3D funcionam construindo, camada a camada, o objeto desejado pelo usuário. Da mesma maneira que impressoras comuns utilizam cartuchos com tinta, impressoras 3D utilizam plástico, metal, material orgânico, cerâmica ou comida como matéria -prima para construir os resultados. E “construir” realmente é a palavra correta: sua origem é do latim, onde o prefixo “com” possui o significado de “junto” e o verbo “struere” quer dizer “empilhar”. Imprimir é, de fato, o ato de “empilhar” as camadas que são depositadas durante toda duração do processo.

Diversos tipos de insumos podem ser utilizados para impressão de comida - uma expressão que até poucos anos atrás não fazia sentido. Extratos de alimentos orgânicos, gelatina, concentrados de proteínas (frequentemente a partir de algas), chocolate, sal, açúcar e farinha são alguns exemplos - sendo que no futuro as limitações certamente serão muito menores. 

As vantagens são muitas: os “cartuchos” podem ser transportados de forma eficiente e armazenados por mais tempo. Países com escassez de alimentos - seja por guerras, poluição ou catástrofes naturais - podem receber os insumos e imprimir as refeições. Teremos menos consumo de combustível e redução de emissões nocivas no meio ambiente graças aos novos processos de produção.

O valor nutricional dos alimentos impressos também poderá ser melhorado. No livro “Fabricated: The New World of 3D Printing” (algo como “Fabricado: o Novo Mundo da Impressão 3D”), de Hod Lipson e Melba Kurman, os autores mencionam a possibilidade da conexão entre sua impressora de comida e os sensores que monitoram seu corpo, imprimindo uma refeição que inclui exatamente os nutrientes que seu corpo precisa naquele momento. Isso sem mencionar a possibilidade de endereçar questões como alergias ou restrições a glúten. Ainda há questões técnicas importantes a serem resolvidas nos próximos anos para que o consumidor final possa ter em sua moradia uma fábrica particular de refeições, mas o caminho para essa realidade está aberto.


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